A Aventura da Incerteza

A Aventura da Incerteza

Eu estou a examinar a brochura de segurança outra vez e a observar a hospedeira, como um pinguim, a apontar as saídas que já tinha notado à chegada. Não é que eu tenha medo de voar; mas as informações de segurança são como uma droga de pessoas preocupadas, e eu sou óptimo nisso.

Olho para o meu colega passageiro, já a dormir e com um desdém altivo.
“Não me venhas perguntar como usar o colete salva vidas caso seja necessário” -  digo eu na minha cabeça. Mas depois, com alguma inveja no meu coração eu pergunto-me porque não estou a dormir?
Porque é que sinto que esta informação tão familiar é tão importante para mim?

Estatisticamente a vida nunca foi tão segura, mas a nossa experiência de ansiedade nunca foi tão grande. Dizer que a saúde, a educação, a segurança pública e a segurança nacional melhoraram bastante reduziria a nossa propensão para o medo. Mas a preocupação vem em níveis epidémicos: foram entregues ao Reino-Unido o ano passado cerca de 7 milhões de prescrições anti-ansiedade no SNS, e aproximadamente 40 milhões de americanos adultos apresentam sintomas de transtornos por ansiedade. 

A resposta mais primitiva ao medo é a fuga, e continuamos a fazê-la em espadas. Não fugimos fisicamente, mas ao tentar desfazer os enigmas que estão presentes na nossa mente: o colega de trabalho que tememos não gostar de nós, um sinal escurecendo no ombro, a sensação de estar no trabalho errado. O Google é a nova porta traseira que podemos percorrer, ou confortados pelas experiências partilhadas ou aterrorizados com o resultado da pesquisa que nos diz que nós temos Peste Negra.

"A resposta mais primitiva ao medo, é a fuga"

Se alguma coisa pode ser responsabilizada pelo aumento do nível de ansiedade nas nossas vidas, é a mudança fundamental na nossa relação com a incerteza. Enquanto o nível de informação está disponível numa escala sem precedentes, o limiar das pessoas por “não saber “tem caído consideravelmente.

Considere a arte de previsão do tempo. Há cem anos atrás, um agricultor teria de lamber o dedo, mantê-lo no ar e dizer de qual direção viria o vento.
Agora, a tecnologia de satélite pode dar-nos uma imagem precisa do tempo até 15 dias de antecedência. A disponibilidade deste conhecimento, unido ao instinto de atenuar o risco, está a roubar a nossa capacidade de descansar na incerteza.

O poder da ansiedade e da unidade para eliminar a incerteza tem roubado a aventura da vida. Este é um claro contraste com a promessa de Jesus, que disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João10;10). Oprah Winfrey disse: A maior aventura que nós não podemos percorrer é a de viver a vida dos nossos sonhos”. No entanto, através da mente, e do trabalho da alma em saúde emocional, tem-se verificado um número crescente de pessoas que só vivem a sua vida “nos seus sonhos”.

Uma das razões pela qual nós amamos o ALPHA é que ele não nos leva a incerteza da vida, leva sim a vida para lá da incerteza. A vida cristã não é sobre como resolver todas as incertezas, mas trata-se sim de viver apesar das nossas contingências. A vida cristã faz-nos a proposta de vivermos certos das coisas que são verdadeiramente importantes, tais como, o nosso relacionamento com Deus, no nosso valor como pessoa, e no nosso futuro eterno. Tudo o resto é uma aventura para ser apreciada em conjunto.
Como dizia Martin Luther “Orai e deixai que seja Deus  a preocupar-se”

"A vida cristã não é sobre como resolver todas as incertezas, mas trata-se sim de viver apesar das nossas contingências"

Will van der Hart é um dos fundadores/directores  da Mind and Soul, uma instituição cristã, que fornece uma ajuda entre questões de saúde mental e espiritualidade cristã. Ele é coautor de The Pregnancy Book, The Worry Book, The Stuff of Life, e o próximo The Guilt Book.

Segue o Will no Twitter @vicarwiill

Photography by Alex Douglas

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