Uma Igreja Radical

Uma Igreja Radical

Imagina ser alvejado com uma espingarda de pressão de ar nos primeiros meses do teu novo trabalho. Bem-vindo ao mundo de Cris Rogers, pastor da Igreja Alls Hallows em Bow. Confrontado com um dos bairros mais difíceis e complexos de Londres, Cris falou ao Alpha sobre como utilizou o exemplo do estilo de vida radical de Jesus, para construir uma igreja inovadora que parece uma família.   

 

60 SEGUNDOS COM …

CITAÇÃO FAVORITA?

“Quanto mais conheço Jesus, mais problemas Ele me arranja.” – Shane Claiborne 

Mais inspirado por?

O Pe. Duncan, padre anglo-católico inglês, que trabalha ao nosso lado na zona leste de Londres. Há alguns anos atrás, ele teve de passar por meses de reabilitação, depois de ter sido esfaqueado por um homem na rua. Algum tempo depois alguém lhe bateu à porta. Foi o rapaz que o tinha atacado. Duncan abriu os braços e abraçou o rapaz, que estava a chorar.

O que te faz mais rir?

Eu tenho um sentido de humor estranho. Eu rio mais com as pessoas da Igreja. Nós juntamo-nos ao domingo à noite e muitas vezes é maluco e disparatado, mas eu gosto muito

 

ENTREVISTA PRINCIPAL

Como é que te tornaste Cristão?

Eu cresci familiarizado com o Cristianismo, mas muitas vezes tinha a sensação que o que eu via acontecer na igreja e o que acontecia nas ruas não estava relacionado. Eu pensava, “certamente se Jesus é verdadeiro, então Ele é verdadeiro dentro e fora do edifício da igreja?”

Quando eu tinha quinze ou dezasseis anos, um conjunto de coisas aconteceu que me começou a fazer sentir que a vida estava ir por água abaixo. Eu comecei a ler o Evangelho de S. Mateus. O Jesus que encontrei nos evangelhos era tão convincente, Ele era tão rebelde. Ele fez coisas que os rabinos judeus da altura nunca fariam. Eu ficava incomodado com o rótulo “Cristão”, mas achei tão poderosa a ideia de Jesus nos oferecer algo tão radicalmente diferente, que comecei a seguir Jesus.  

“O Jesus que eu encontrei nos evangelhos era tão convincente, Ele era tão rebelde”

 

Porque é que achas que é importante para a igreja ser criativa e envolver-se na cultura contemporânea?

Seja na arte ou na música, a igreja sempre capturou algo de espetacular utilizando a criatividade que nos rodeia. Olhemos para o órgão, que originalmente era um instrumento progressivo, que outrora era visto como o “instrumento do diabo”.

Deus é criatividade. À medida que vamos lendo o Génesis, Deus coloca Adão e Eva no jardim e diz “Olha, Eu quero que cuides dele, Eu quero que cries, Eu quero que produzas.” 

Quais foram os maiores desafios para ti ao conduzir esta igreja?

Pouco tempo depois de me mudar para aqui, alguém disparou contra mim, com uma espingarda de pressão de ar. Tivemos um homicídio a cerca de dezoito metros da nossa porta, dois dias depois do Natal. Há duas semanas atrás, um tijolo atingiu a nossa janela do quarto disparado de um outro prédio.

Uma das coisas que eu reconheço, é que vamos perder o fôlego, a não ser que percamos tempo todos os dias, a procurar o que Deus quer que façamos. Todos os dias Deus dá-me novos olhos para esta comunidade, para ver a beleza na fragilidade. 

Portanto, têm havido sérios desafios. E os pontos altos?

Um amigo nosso que trabalha na associação local de habitação recentemente disse “desde que aqui estás, esta comunidade ganhou novamente vida”. É coisa mais encorajadora que eu ouvi, como eu acho que os cristãos deviam de ser reconhecidos pela sua vida, pela sua vitalidade e alegria. Nós queremos ser conhecidos como aquela igreja: a igreja de festa.

Saímos algumas vezes por ano, fazemos churrascos, fazemos um churrasco Halal. Durante o verão realizamos um e servimos 300 hambúrgueres para a nossa comunidade muçulmana. Se o reino de Deus é como uma festa, temos de começar a viver isso agora, e não esperar para que isso aconteça.

“Os cristãos devem ser conhecidos pela sua vida”

Como é que o Alpha tem funcionado na vossa igreja?

Eu diria que dois terços da nossa comunidade participou no Alpha, e a maioria deles veio a ter fé através do Alpha. Algumas pessoas que tinham sido cristãs, abandonaram a fé, e depois redescobriram-na no Alpha. Mas a maioria deles são novos cristãos, o que é muito entusiasmante.

O Alpha tem funcionado na nossa igreja à medida que cria um espaço, onde as pessoas normalmente não têm de ser honestas e fazem aquelas questões difíceis e honestas. Num contexto do dia-a-dia normal, elas não têm tempo para parar e pensar sobre algo, apenas têm segundos, ou para um pouco de conversa, depois empurram para o lado e desaparece. No Alpha, eu acho que as pessoas podem realmente mastigar uma ideia, que normalmente não tinham oportunidade para falar sobre ela. 

 

Entrevista: Yosola Olorunshola

Fotografia: Luke Williams

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